quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Política, politicália, politicagem


"Sou brasileira responsável e séria.
Por isso mesmo me zango muito.
E cada vez que vejo essa palhaçada, essa mentira, esse Brasil virtual, poderoso, paraíso, fico geladaporque parece que a gente é maluco, mas não é (...).
Esse Brasil que é anunciado todos os dias, maravilhoso, melhor dos melhores, que vai ser o maior produtor de petróleo do mundo...
Gente dá um tempo!!!
Veja um pouquinho mais de perto, chegue mais perto...
Está tudo muito longe, desfocado, um paraíso que não consigo ver daqui (...)
Não gosto de ser tratada como imbecil."
Maria Bethânia

Você se lembra do furacão que devastou a região sul, o Catarina? Afirmaram que era uma tempestade qualquer e que, no Brasil, não há furacões.
Como o Catarina, no Brasil, tudo é minimizado, principalmente se for maligno. É um paradigma. Se for perigoso, ignore; se for grave, finja que não existe ou que não sabe de nada. E vamos levando a vida na flauta que, apesar da voluntária cegueira, transformou-se em pesadíssimo instrumento, difícil demais para se ir tocando.

A inelutável realidade, debaixo e atrás dos palanques, ilustra a distância entre o discurso e o cotidiano, é óbvio.

Estou louca se, enquanto o salvador-mor do mundo afirma que governa para os pobres, vejo tudo continuar como sempre foi? Estou louca se vejo a violência, as pessoas sem assistência médica pelo famoso SUS que, supostamente, tornou universal o direito à saúde? Estou louca se vejo as estradas que matam, devidamente escondidas pela "lei seca"?

O conflito entre a realidade e a retórica governamental pode ser imperceptível para quem vive sob os palanques, sustentanto a farsa trágica da proteção aos pobres que imaginam ter eleito o salvador, sem perceber que incensam seu próprio carrasco.

“Eles”. Sempre “eles”, uma entidade perniciosa, uma cruz que carregamos todos, materializada nos políticos. E somos refém “deles”, com nossos médios salários. Reféns, ou seja, vítimas de quem sustentamos sob a falácia da representatividade.

O mais difícil é encarar educadores, intelectuais coroados de títulos, supostos defensores dos “menos favorecidos”, ídolos, celebridades (!?) e autoridades (!?) defendendo a perpetuação da ignorância, fingindo-se de cegos diante do desprezo governamental absoluto à educação infantil, à saúde pública, à segurança, obrigações do governo prevista na tal constituição cidadã que, infelizmente, só serve para defender direitos, os mais danosos e obriga ninguém a nada, principalmente estes “pais da pátria” que estão nos levando para o abismo.

Não somos loucos. Um país inteiro não é cego como pretendem seus governantes e vassalos. O que nos domina não é a loucura ou a cegueira. É a desonestidade de quem, infelizmente, finge nos representar. Quem vê e sabe não é louco.
Como disse Bethânia, “parece que a gente é maluco, mas não é”.
Somos apenas honestos, como todos deveriam ser.

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